terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Faz falta o gato aranha

Esta segunda feira passada marcou, nitidamente, uma nova etapa da minha vida, mas foi somente ao chegar em casa, depois de onze horas de trabalho, que me dei conta...

Estar acompanhado, num relacionamento estável, o tempo todo, dia após dia, não é fácil. Você se torna responsável por coisas que não queria se tornar. Se torna parceiro em coisas que não queria ser. Se torna culpado de coisas/situações nas quais não há culpado. Há muito mais entrega do que ganho. Isto é viver acompanhado. Há quem ame isto. Respeito.

Estar sozinho, num relacionamento estável apenas consigo mesmo, também não é muito fácil, porém é nitidamente menos complexo. Por exemplo: não há alguém ali, o tempo todo, para compartilhar as coisas, as vitórias, os "perrengues". Contras. Mas há prós e eu os amo. Toda vez que os perco de minhas mãos, é como se perdesse um pedaço de mim... pedaço, agora, recuperado.



Nesta última segunda feira, dia 15, eu (tecnicamente) voltei à vida solitária. Até que o momento chegasse, fiquei me perguntando, dia após dia, como seria, como eu reagiria, como lidar com a situação. É o tipo de situação que sabe como é apenas quem a vive.

Já morei sozinho algumas vezes, porém, em todas elas, eu entrava na casa (ou apartamento) para morar sozinho. Desta vez, porém, eu continuo na mesma casa que compartilhava com minha (ex) companheira e meu gato. Agora, porém, sou apenas eu. É diferente chegar num local novo para uma vida nova de estar no mesmo local para uma vida nova. É muito diferente.

Não mudei de residência, o local é o mesmo, mas a vida muda, as horas passam diferente, o som da casa mudou, onde ficam as coisas mudaram, tudo, absolutamente TUDO parece ter mudado.

Há prós? Claro que há. A paz e a calmaria valem ouro. Ou diamantes!
Há contras? CLARO! Ô, se há...

Alguns estou descobrindo já no segundo dia. Alguns irei descobrir. Normal.

Ontem, quando abri a porta de casa e, aos meus pés, não havia o Spider, miando, querendo se enrolar nas minhas pernas, o coração apertou. Apertou e os olhos não suportaram a pressão.

É certo que a melhor decisão que eu tomei, em minha vida, sobre a "questão Spider" foi permitir que ele fosse viver com a mãe dele. Se ela sofresse 1% do que eu sofri domingo a noite, ontem a noite (ao acordar, ao chegar em casa) e hoje, não sei o que sobraria do estado emocional dela. Digo isto porque eu, tido como frio, calculista, racional, etc etc, estou sofrendo muito mais do que eu esperava.

Spider, em seu colchão preferido... rs...


Ô saudade do meu bichano...

Um gato!! Como pode?? Um pequeno, lindo, carinhoso, presente, companheiro, discreto gato fazer TANTA diferença nestas poucas horas que passo dentro de casa? Não sei. Mas faz...

Vida que segue...

domingo, 7 de dezembro de 2014

E agora, Tulipão? Que faço eu da vida sem você...

Hoje é dia sete de dezembro de 2014 e falarei hoje sobre a melhor padaria do bairro.

Eu nunca, jamais, imaginei que sofreria o impacto que sofri ao ouvir a frase, vinda do gerente da melhor padaria do bairro onde moro: "sim, vamos fechar, dia 24 é o último dia".


O ano, 1999. Bairro novo, vida nova. Eu, nos meus tímidos quinze anos de idade, saí andando pelo bairro, a pé, para saber onde ficavam as coisas. Locadoras, padarias, escolas, farmácias, pontos de taxis, sorveterias. Fiquei deslumbrado. Era tudo muito diferente do meu bairro antigo. Nem melhor, nem pior, era apenas.... diferente.

Localizei todos os meus pontos de interesse, inclusive por onde andavam as meninas mais lindas do bairro (mesmo que eu jamais tivesse meio porcento de chance com elas). Nesta "andança", localizei uma padaria pequena careira, uma padaria modesta, uma padaria grande e uma mercearia que não tinha pão. Sim, como perceberam, pão é critério de classificação. Culpa do vô, aprendi com ele.

Fato: tempo passou, a mercearia sem pão fechou. Depois, a padaria modesta fechou. Ficaram duas. A careira que tinha quase nada e a grande. Esta última, minha predileta, a Tulipão.

O ano, 2013. O bairro mudou bastante. As padarias, até então, ainda não, porém no fim do ano, uma nova e garbosa padaria foi aberta. Daquelas típicas de área nobre, com acabamento em madeira e preto, que tem até pizzaria dentro. O preço das coisas dela também eram nobres. O perfil dos clientes, como esperado, compostos basicamente pela classe média metida a classe A. Acontece.

O ano, 2014. Dezembro, dia 06. Sábado à tarde. Estou ao caixa da Tulipão. Como de praxe, depois de fazer as compras no supermercado, na volta, sempre passo por ela. Hora de comprar o pão da tarde, o picolé e o maço de Carlton.

Eis que, de um cliente, em diálogo com o gerente da padoca:
Cliente: Então o seu Antônio vendeu mesmo?
Gerente: Sim.
Cliente: E vai continuar sendo padaria?
Gerente: Não não.
Cliente: Poxa...
Gerente: Pois é...

Silêncio. Eu e mais duas outras clientes na fila nos olhávamos. Em choque. COMO ASSIM!?
Como pode um maldito estabelecimento comercial ser tão relevante? Como deixei que uma simples padaria fosse tão importante para mim? Fato é que, dia após dia, ela estava sempre ali, aberta, à disposição. Pão, leite, chocolate, picolé, chiclete, bolo, biscoito, café, sorvete, refrigerante, cerveja, água... puf... não mais.

De repende nos demos conta, eu e as clientes ali na fila, de que um pedaço do bairro seria tirado de nós. Do bairro não, de nós. Boa parte do bairro é formada por antigos moradores. É um perfil já incomum nesta Belo Horizonte em gigante crescimento nas últimas décadas, mas é o daqui.

Por mais banal que possa parecer, o fim da Tulipão marca um capítulo da história do Cidade Nova. Um capítulo da minha história. Ter que encontrar um novo porto é doloroso, traumático.

Difícil lidar com mudanças. Pior ainda com mudanças não planejadas.
Eu ainda não sei como lidar com isto.

Tulipão, a padaria, o porto seguro do bairro, fechará as portas. Fará falta. Muita.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Dilema crítico

Fonte: http://mauricioromao.blog.br/
Faz algum tempo que me deparei com um dilema. Não consegui solucioná-lo, mas certamente a internet seria um lugar socialmente mais interessante se a maior parte das pessoas se deparassem com este mesmo dilema.

Todo mundo (ou 99,99% do "mundo") que está no Twitter (ativamente), no Facebook, tem um blog, coluna online ou faz vídeos (padrão vlogger) parece ser impelido a opinar sobre todo e qualquer assunto. Até aí, ok, normal. O que começa a complicar é quando são opiniões abarrotadas de certezas infundadas, convicções rasas, desconhecimento de contexto, etc etc.

Daí, eu, que quase não escrevo, apesar de muito refletir, me deparei o tal do dilema (aliás, até agora eu não disse qual é, né?).

"Baseado no quê, com que autoridade, conhecimento e/ou embasamento, estou escrevendo/gravando/publicando esta crítica ao conteúdo produzido por outra pessoa?"

Se TODOS se fizessem esta pergunta, usariam mais (e corretamente) termos como "eu acho", "acredito que", "eu imagino que" ou o simples "talvez". Mas não, os "críticos de tudo e todos" simplesmente não acham nada, estão sempre convicctos, certos e, em sua maioria, são irredutíveis.

Talvez, apenas talvez, você já tenha se deparado com este dilema. Talvez você jamais tenha se deparado com ele. Talvez você já tenha se deparado com ele, mas só agora se deu conta disto.

Fato é que eu me deparei com ele e, por isso mesmo, escrevo cada dia menos, leio cada dia mais. Debato mais. Dialogo mais.

Espero que você, mesmo depois deste texto nada elucidativo ou científico, possa refletir e, quem sabe, sair deste dilema com uma vontade de escrever como eu saí.

Boa sorte para nós!
Vamos precisar.

Hasta luego!!