quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Príncipes e princesas: fadados ao fracasso

Me perdoem os românticos apaixonados, mas esta mania de algumas pessoas quererem viver contos de fadas é o fim da picada.

Existe uma coisa chamada PAIXÃO. É um veneno. Ela deturpa a percepção da realidade, diminui a capacidade de sensatez, altera o humor, alimenta expectativas, não agrega nem um pingo dágua de benefícios e coisas boas à um relacionamento entre seres humanos adultos saudáveis.

Alguns dirão que amam estar apaixonados. Eu respeito. Tem gente que come cocô e gosta. Eu também respeito eles.

"Sem paixão, a vida não tem graca." alguém dirá. Ah, por estes eu irei sempre ter um pouco de piedade. A visão da vida sem a página 2, sem consequências, a vida que termina no "e viveram felizes para sempre", mas a vida, meu jovem gafanhoto, não termina ali. A vida segue.

As pessoas esqueceram o prazer da vida simples. Se deslumbram com a vida do "1% mais rico no mundo" e se esquecem que eles correspondem à... 1% do mundo!!!
Que custo foi pago para eles estarem lá? Quantos, com injustiças calculadas, não pagaram com suas vidas para ser mantido o luxo deste 1%?

Calma, não se irrite. Estou misturando dois assuntos para tentar demonstrar o quão insanas estas duas coisas são. Pior. O quanto andam, hoje, juntas uma à outra.

Povo quer ser rico e ponto, não importa como, não importa quem sofra para isto acontecer.
Povo quer paixão, loucuras, contos de fadas com príncipes e princesas, não se importando com o fato de que contos de fada simplesmente não existem no mundo real dos adultos saudáveis.

Ok. Queiram isto. Só não queiram que eu aprove isto. Nem concorde. No máximo, terão de mim algo próximo de tolerância.

O custo pago, pelo mundo, pela humanidade, por causa das paixões e altos-luxos alheios é tão alto e tão insano que é impossível que eu concorde com isto. Que eu aprove isto.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Frozen [sem spoilers, juro!!]


Como um bocado de gente já fez (tanto que o bendito filme arrecadou mais de 1.2 Bilhões de obamas), assisti Frozen,

Mais um filme de conto de fadas. Mais um conto de fadas da Disney. Lá se foram uma hora e quarenta minutos de computação gráfica muito bem feita. Sabem como é, padrão Disney e tal.

Mas e o filme? Bom, sem spoilers, em respeito aos que não assistiram ainda, serei breve: assistam.

Simples, divertido (dei boas gargalhadas), leve e ligeiramente intrigante. A Disney saiu um pouco daquela rotina (Cinderela, Bela Adormecida, etc etc) e trouxe, através de um divertido e simples roteiro, uma história nova (pelo menos para nossa cultura... a brasileira).

Estou longe de ser um admirador de musicais, mas mesmo dentro do meu baixo grau de tolerância, passei bem pelo desafio e, na maioria das vezes, o recurso musical se fez interessante. Destaque, claro, para a música tema do filme: arrebatante. É claro que eu teria cortado metade das músicas, mas aí seria um filme do Patux, não da Disney. Ainda bem que é Disney.

Eu só faço uma última observação: este mundo, o nosso, este que você vive aí, então, ele está carente de contos de fadas adequados para nossos tempos. A bilheteria de Frozen deixa isto claro. O filme é ótimo e eu recomendo, mas 1.200.000.000 de dólares com bilheteria é insano. É merecido por tudo que fez para chegar a estes números (haja marketing, claro), mas mostra o quanto tanto crianças quanto muitos adultos sentiam saudade de um bom conto de fada waldisnyano.

Enfim, recomendo. 

Ah, e cutam Olaf, o boneco de neve. Algumas frases dele são im-pa-gá-veis!!

domingo, 3 de agosto de 2014

HER... ELA... EU... VOCÊ... NÓS...?!

O ano é 2014.

Há alguns anos esta geração conheceu a "criação do terror", quando duas torres, dois prédios comerciais, foram abatidos por aviões comerciais, guiados supostamente por terroristas.

Há algumas décadas o povo do meu país passou por um desastre conhecido como "ditadura militar". Esta ditadura supostamente acabou, mas suas consequências estão brutalmente encarnadas em nossa cultura, mesmo 30 anos após o fim da dita cuja.

Há mais de meio século atrás o mundo se deparou com uma guerra de proporções assustadoras, guerra que atingiu principalmente o continente (que chamamos de) europeu. Porém, seus reflexos atingiram todo o resto do mundo.

O mundo em que vivo é tão rico mas, ao mesmo tempo, tão imbecil e imaturo.



Hoje, enquanto eu flutuava pelo mar tempestuoso da minha mente, me deparei com uma produção cinematográfica que conseguiu jogar uma silenciosa, porém imensamente devastadora, bomba neste pedacinho bagunçado da minha mente à qual dou o nome (inutilmente) de certezas.

A tal da produção cinematográfica se chama HER, lançado em 2013.

Vou tentar resumir o filme: e se você, agora, pudesse falar com um ser que você não vê, mas possui total e absoluta certeza de que este ser te ouve? E se além de ouvir, este ser respondesse? E se, além de responder, ele realmente realmente reagisse? Sim. Te ouve, interpreta e reage. Mais!! Além de ouvir, interpretar e reagir, ainda apresentasse simpatia com seus dilemas, te ajudasse a contornar seus conflitos e ainda te ajudasse a superar seus traumas?

Tudo muito lindo na tela. Mas como seria isto na vida real? Aqui, neste ("maldito") mundo chamado realidade? Será que precisamos disto? Será que queremos isto? Será que já não vivemos isto???



Her é um sistema operacional e seu papel é ser uma evolução (impressionante, diga-se de passagem) do que o Google Now, Siri e Cortana são (ao menos hoje).

O que ele (ou ela... HER!) faz?

  • responde suas perguntas
  • sugere solução para problemas
  • lê seus emails e mensagens
  • ajuda a revisar textos
  • ajuda a organizar sua agenda
  • dialoga sobre assuntos aleatório quando julga conveniente
Resumidamente, Her te apresenta, de uma forma unificada, quase tudo que o ser humano já possui. Certo? Errado.

Como lidar com a vida naqueles momentos em que nos perguntamos coisas como:
  • e agora?
  • por que eu preciso sair da cama?
  • por que eu devo me relacionar com pessoas?
  • como sair da vala?
  • há um abismo em meu "peito", como solucionar?
Perguntas como estas surgem, basicamente, em duas situações: quando perdemos algo extremamente valioso (falecimento, fins de relacionamentos, fracassos) ou quando (por algum misterioso efeito da vida) nos deparamos com a inutilidade de nossas vidas.

Enfim, Her se apresentou (na verdade eu procurei, por indicação de terceiros/internet) para mim e, só pra variar, me renovou a percepção do quão simples e absurdamente complexa é esta tal de vida.

O quanto cada pensamento e cada atitude nossa é importante e infinitamente desimportante, ao mesmo tempo. O quanto complicamos coisas simples e o quanto simplificamos coisas que, na verdade, são complexas.



Não darei conclusões aqui. Infelizmente, para alguns, cansei de conclusões, de certezas. Agora eu só faço perguntas e passo dias e mais dias "enfurnado" na minha "caixa do nada", esperando as respostas baterem à porta. Elas chegam, mas sempre trazem outras novas perguntas à reboque.

Façam um favor à humanidade, aliás, façam alguns favores à humanidade.
Primeiro, leiam mais.
Segundo, escrevam mais.
Terceiro, assistam este filme. Her, de 2013.

Se sua mente ficar zoada como a minha ficou, volte aqui e vamos conversar. 
É bom encontrar gente como a gente.