quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Novo Contrato


Em via de regra, novos contratos devem ser melhores que os anteriores.
Vide mudanças de emprego, renovação de contrato de jogador de futebol, relações cliente-fornecedor, etc.

Há duas situações em que vejo isso ser lembrado ao fim do contrato, mas ignorado no novo.


Um é o Contrato de Ano Novo.

Sempre (ou quase) assinamos contrato conosco (isso, você com você mesmo) com metas, propostas, ideias, alvos, para o ano porvir (ou por vir!?). Normalmente, audaciosamente, as cláusulas são mais exigentes e elevadas que no ano anterior. É um efeito (quase) natural. Vem da fé, da expectativa por dias melhores. A torcida para que o Universo conspire a nosso favor dessa vez. Se você for bastante realista nesta auto-contratação, será inteligente o bastante para separar as cláusulas em dois grupos: as que dependem de você, as que não dependem.
Bom, neste tipo de contrato isso não é apenas possível como também fácil de se separar.

Como eu disse, há uma segunda situação onde esta questão contratual me desperta curiosidade: Contratos de Relacionamentos.

Quando falo de relacionamento, aqui, vou me limitar aos que atendem o padrão "namoro/casamento" ou algo estável afim.

Findados relacionamentos, sempre ouvimos frases como "será diferente da próxima vez", "nunca mais vou deixar isso acontecer", "não vai acontecer novamente". Há outra centena de variações destas frases, mas a essência é a mesma: ser taxativo de que, num próximos relacionamento, TUDO será diferente, melhor.

Olhe para você. Para as pessoas ao seu redor. Quantas vezes isso realmente aconteceu?
Quantas e quantas vezes você se envolveu com outra pessoa e, novamente, passou por problemas semelhantes?

A questão é que, ao analisarmos as relações (os contratos) anteriores, raramente somos frios e calculistas o bastante para incluir na coluna de "contras" (sim, eu faço colunas de prós e contras de quase tudo na minha vida) aquilo que nós mesmos criados, causamos ou alimentamos.

Relacionamento é a coisa mais simples, complexa, fácil e difícil do mundo!

Fácil se você considerar que 1+1=2.
Difícil se você enxergar a relação como "dois que se tornam uma só carne" . Faça a conta. (...) Pois é. Para 2 se tornar 1, só subtraindo. 2-1=1!!!! Oh! Exato! Toda a vida você aprendeu, romanticamente, que ao assinarem o contrato de relacionamento, ou seja, assumirem uma relação "estável", o que estava subentendido era que um de vocês teria que morrer, ou metade de cada um (se formos comunistas). A questão, por mais romântica que soe, é patética.

Enfim, continuando...

Simples, se houver diálogo, bom humor e o mínimo de julgamentos possíveis.
Complexa, se não houver diálogo (normalmente não há), melindres excessivos (aliás, qualquer melindre já é ruim) e julgamentos constantes.

Quer outro veneno complicador? Expectativas. Este aqui é, talvez, o âmago dos problemas de muitos (senão TODOS) os relacionamentos.

Ô bicho burro é o tal do ser humano apaixonado!!!
Adquire uma habilidade incalculável de se desenvolver surdez seletiva, cegueira seletiva, raciocínio seletivo, percepção seletiva, bom senso seletivo... Resumindo: ele seleciona ignorar (ou...) tudo que cairia na coluna "contras", aquela mesma que você prometeu jamais aceitar novamente.

Eu ainda poderia destilar (meu veneno, digo) algumas linhas, páginas, sobre o assunto, mas vamos deixar isso para outro dia, outro post.

Por hoje, apenas reflitam comigo e, ao fazer novos contratos, analisem melhor os anteriores. Parem de assinar contatos iguais aos que, ao fim deles, vocês mesmos rejeitaram.

Que tal pararmos de nos auto sabotarmos?
Pense: é um a menos te atrapalhando, se você parar com isso!

...

Ainda voltarei para detalhar itens citados, como questões dos contratos de Ano Novo, Relações Estáveis e a análise mais crítica das colunas de fatores controláveis e não controláveis destes contratos.