sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Um sonho e um debate - Parte 1 - O sonho

Não sou muito de relatar meus sonhos, destes que temos quando estamos dormindo mesmo. A verdade é que a maioria eu nem lembro. Dos que me lembro, não poderia contar a maioria, mas este me deixou encasquetado. Nem tanto pelo tema, mas pelo conjunto da obra: sonho, tema e como acordei.
Como é o relato de um sonho, alguns intervalos somem, vocês sabem. São os famosos apaga/volta, desliga/liga.

O sonho começou comigo conversando com uma mulher. No sonho eu parecia conhecer ela, agora, enquanto escrevo, não faço ideia de quem seja. Estávamos conversando amenidades sobre a vida... 

(desliga/liga)

Aparecemos num dos locais mais hostis já criados pela humanidade: estávamos dentro de uma igreja.

Era um culto até, aparentemente, tranquilo. Mais para uma palestra do que para um destes shows em que falam mais do capiroto do que de deus e caráter (aliás, alguma igreja ainda fala em moral e caráter??).

Eu não sei bem o porque, o motivo, razão ou circunstância, mas o pastor falava algo do tipo "se você está procurando o seu futuro esposo ou esposa, venha até aqui e vamos orar por vocês, mas não se esqueçam de que apenas orar não irá resolver, precisam agir", e de uma forma que eu não sei detalhar, mas o RARO pastor começou a listar diversos comportamentos realmente adequados para quem procura um companheiro de forma criteriosa e minimamente inteligente. É SÉRIO, eu fiquei pasmo com o quão educativo, pedagógico, aquele pastor estava sendo. Eu só sei que era pastor porque eu conheço ele, senão teria certeza de que era um infiltrado.

(desliga/liga)

De repente o assunto mudou, mudou o homem ao microfone e mudou o tom da palestra/pregação.

De repente a conversa era sobre família, casal, as ameaças, quando me deparo com a frase deste infeliz, tão distinto do primeiro pastor: "e tomem cuidado, minhas irmãs, com seus maridos e filhos!! O Vírus Boiola está se espalhando por todo lado". E muitos riram...

Aquilo me feriu...

Por pelo menos uma dezena de razões, aquela frase me feriu. Me lembro de, no sonho, ainda sentado, ter começado a chorar. Chorava muito. Então uma e outra pessoa, da igreja, me perguntavam porque tanto choro e eu só conseguia responder: "este homem é louco, ele não tem noção do que está fazendo".

[[eu ainda volto aqui para explicar, item a item, o motivo de chamar este energúmeno de louco]]

(desliga/liga)

Apareço chegando ao trabalho, cumprimento um e outro colega. Chego ao computador onde eu iria bater ponto e encontro dois colegas, um rapaz e uma moça, amigos meus, e lanço a pergunta: já pararam para pensar no quanto este mundo seria melhor se a religião fosse menos babaca com a sexualidade das pessoas?

Olharam para mim, olharam para o chão, a moça voltou a levantar o rosto, olhou nos meus olhos e disse: seria esperar demais da religião, não acha?