quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Feliz Ano Novo... ou algo mais ou menos assim

Então, lá fora, estouram os fogos de artifício, era Réveillon, a tal celebração do novo ano que começava, conforme dizia o calendário em sua mesa, ao lado modem.

Naquele momento em que ele queria dizer coisas que, se ditas, lhe trariam alívio, mas destruiriam lembranças de algumas pessoas e, provavelmente, o futuro de outras.

Escreveu tudo, em correta ortografia e gramática, com boas pitadas de ironia e sarcasmo, sutis o bastante pra confundir o leitor desavisado.

Então lembrou de sua missão na Terra, respirou fundo, aceitou o fardo que ele mesmo escolheu (ciente do quão errada e imatura fora aquela escolha), respirou lenta e pesadamente mais uma vez, apagou o texto inteiro e retornou à leitura do livro que minutos atrás tinha em mãos.

É uma boa, estranha e solitária forma de se começar um ano.

Não era a primeira vez.
Não seria a última.

Enfim, do texto todo, só não apagou a última frase:

"Feliz Ano Novo... ou algo mais ou menos assim"