terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Combo Patux: "A Vida Secreta de Walter Mitty" + @Cinecast 14 "A Bela, A Fera e o Amor"


 
Atenção, querido leitor: este é daqueles textos que carecem de atenção dedicada e paciência. Atenção dedicada pelo teor, paciência porque a jornada aqui será "longa" (por "longa" entende-se "mais de 140 caracteres").



Primeiro, o trailer do filme:



Eu poderia falar por, pelo menos, meia hora sobre este filme. Mas hoje não. Hoje eu quero falar do que este filme causou em mim.

O ano de 2013 está chegando ao seu fim, conforme diz o calendário. Eu não sei com você, mas comigo os anos nunca terminam em 31 de dezembro. Demora um bocado para eu entender que naquele dia algum tipo de ciclo acabou. Talvez seja por eu ser praticamente neutro às datas institucionalizadas. Talvez. Mas o que aconteceu comigo, nesta data, ou na véspera dela, poderia ter ocorrido em QUALQUER dia do ano que, sem a menor dúvida, teria o mesmo efeito.

Então, recapitulando: filme, fim de um ciclo e... podcast.

Qualquer ser vivente que me conhece, há pelo menos 30 minutos, sabe o quanto sou "devoto" da mídia podcast. Acontece que neste 30 de dezembro de 2013 eu tive contato com a edição de nº 14 da série Especial do Cinecast, "A Bela, A Fera e o Amor" (link). Coincidentemente na mesma data em que assisti ao filme. Se você passar pela mesma experiência (e eu recomendo MUITO que faça isto), entenderá o efeito cataclísmico que foi causado em mim, nos meus pensamentos, nas minhas convicções, projetos pessoais, TUDO!!

É interessante quando você acredita que está, finalmente, firmando convicções para carregar pelo resto da vida. Aquele momento que você olha para sua vida, suas decisões recentes, seus planos a curto e médio prazo e JURA que "pronto, é assim que eu quero". Então você tem contato com algo, ou ocorre algum epidósio, e BUM!!! Hora de reconstruir tudo de novo.

O filme, este aí do trailer, A Vida Secreta de Walter Mitty é de uma leveza de roteiro impressionante, ao mesmo tempo é de uma absurdamente profunda mensagem, daquelas que parecem atuar como se jogassem você no meio de um oceano, no meio de uma tempestade como nunca antes vista, mas sem te causar pânico ou medo. É um misto de um berro, "OW!!", com o cafuné da pessoa amada (mãe, amigo, companheiro, etc).

Então, com sua alma/espírito/essência tomada deste êxtase, derrame sobre ela uma profunda, significante e sincera prosa sobre o amor. Não apenas o romântico, da paixão. O AMOR como ingrediente primordial da relação humano-humanidade. Esta segunda bomba veio através do fantástico podcast que eu citei, o Cinecast Especial 14.

Fato é que juntos, neste combo cinema-podcast, distintos, em nada relacionados (em seus assuntos), causaram um verdadeiro cataclismo em mim.

Questões primordiais para mim, como definição de valores, moral, vocação, desprendimentos, empreendimentos, projeto para abandonar e projetos para abraçar, quais pessoas relevar, quais pessoas valorizar, relação de prioridades... aquele momento em que você percebe o quanto TUDO está ligado e fica complicado definir uma lista.

Será agradavelmente difícil dormir esta noite, com a mente borbulhando, a alma em êxtase, o corpo tentando lidar com tudo isto.

Sem conclusão NENHUMA, vou terminando este texto, mas não sem antes algumas considerações:
  • meu MUITO OBRIGADO à equipe do CINECAST (Os Cinéfilos);
  • minha recomendação à você, que pacientemente leu até este ponto, de que faça este combo (filme + podcast) num mesmo dia;

Volto em breve!

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Querido Papai do Céu, digo, Papai Noel... não, pera, deixa eu começar de novo...






Brasil, 24 de Dezembro de 2013


Olá Filho do Papai Noel do Céu,

Tudo bem com o senhor? Claro que está, né!? Afinal de contas o senhor é onipotente, onisciente e onipresente.
Bom, seu pai eu tô sabendo que é, acho que o senhor é também, né?

Aliás, aproveitando a oportunidade, ó amado benevolente, quero parabenizar pelo seu aniversário.
2013 anos com carinha de 2012... que beleza, hein!?

Depois me conta como foi a festa por aí, viu!?

Aqui, Papai do Céu, posso te fazer algumas perguntinhas?! Espero que sim.

Sabe me dizer porque você nasceu na mesma data que uma turma árabe comemorava o nascimento de Mitra, bem antes do senhor vir salvar a gente, meros mortais pecadores?
Puta coincidência, né não!? Ai... desculpa o palavrão... pede o Pai aí pra me perdoar.

Uns pesquisadores destas coisas antigas, beeem antigas, fizeram umas contas e descobriram que um povo ali do norte da Mesopotâmia comemorava o níver da tia Mitra bem no dia 25 de dezembro.
Mó coincidência, né não?
Tinha que ter conversado isto com o Gabriel, sabe... lá na época que o senhor nasceu, nunca te perguntaram sobre isto não?

Aqui... outra dúvida: por quê no seu aniversário a gente aprende que é importante comprar presentes? Sei lá, sabe... o senhor podia falar com o Papa ou então com os pastores que têm canal direto contigo sobre uma forma de, sei lá, sugestão minha, dar prioridade em outras coisas, tipo acabar com a fome no mundo, acabar com a pedofilia eclesiástica... quem sabe até acabarem com o preconceito. Eu sei que é uma coisa complicada pro senhor, que fica dependendo das renas para visitar o mundo todo, mas sei lá, manda um e-mail pra turma toda, com algum arquivo pps explicando tudo.

Sabe, menino Jesus, outra coisa que nunca entendi e talvez você possa me explicar: por quê você é gordo e fica vestido de vermelho, cheio de gente cobrando das crianças para tirar foto com o senhor? Outro dia aprendi que você dava comida de graça, pão, peixe e tal. Agora tá cobrando pra tirar foto? Que que aconteceu?

Bom, vou para por aqui que esta carta já tá grande demais.

Manda um abração pra Mamãe Noel, pro Papai do Céu, pra sua xará de aniversário, Tia Mitra, pro Senna e pro Mandela, que chegou aí outro dia. O cara é gente boa. Brigou um tantão por aqui pra dar uma vida decente pra um povo sofrido. Eu sei que ele partiu pra pancadaria às vezes, mas foi por uma boa causa, prometo.

Obrigado por tudo de bom que o senhor me proporcionou, tipo a Libertadores. Foi foda o senhor tirando energia das pernas daqueles paraguaios do Olímpia. Valeu mesmo, viu!?

AH!! E não esquece de mandar meu presente, viu!? É coisa simples, bem fácil do senhor arrumar. Tá anotando? Anota aí: dar à toda a humanidade a capacidade de entender sarcasmo e ironia.

Anotou!? Ótimo!

Então vou indo, tá?
Até ano que vem, no seu próximo aniversário, Jesus Noel.

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Feliz Natal!!
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segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Como o choro de carpideiras

Desde que se lembra, era assim, digamos, muito boa no que fazia. Naquele dia, porém, chorava. Não entendia o motivo, mas melancolicamente chorava. Não era ela exatamente quem chorava, eram suas juntas, partes do seu corpo que pareciam lamentar. Não era um choro silencioso, era um choro seco, sem lágrimas, mas dolorido, algo próximo do que seria o choro das carpideiras se fossem sinceras em seu ato.


Ficou ali, durante dias, a ouvir aquele choro dolorido. Em alguns destes dias, vez por outra, porém, o choro cessava, aliás, não o choro, mas o lamento, aquele som maldito que ela emitia, ainda sem conseguir compreender o motivo. Ela não, parte dela. O que não deixava de ser... ela.


Nestes poucos momentos de silêncio, perguntava-se algo parecido com "Por quê?", ao mesmo tem que lembrava-se dos dias em que a vida lhe era tão simples e satisfatória. Naqueles dias, dos quais ela agora sentia sincera saudade, ela era feliz em fazer o que fazia. Tinha verdadeiro orgulho quando era convocada a cumprir sua missão e, com perfeição, cumpria-lhe.


Foi assim, por dias, vivendo ora da melancolia cuja razão lhe fugia a compreensão e ora da saudade dos dias em que tão bem desempenhava suas funções, sem lamento. A verdade é que, mesmo emitindo aquele som melancólico e dolorido ela continuava exercendo suas atividades com sucesso. Mas já não era a mesma coisa.


Um dia, quando estava distraída, num dos raros momentos de silêncio, meteram-lhe sem que pedissem permissão. Assustada, porém sem reação, ficou ali, em choque, tentando compreender o que havia acontecido.


Foi só no dia seguinte que percebeu. Era óleo. Haviam calado o lamento. Ela voltou a sorrir e por muito tempo teve paz, fazendo o que lhe dava prazer em fazer, sem parte alguma dela lamentar, chorar ou emitir sons desagradáveis e tristes.


Era, novamente, feliz.

SOBRE: The Hobbit - A Desolação de Smaug

PRIMEIRO: o passado...

Minha experiência com o "universo Tolkien" (que, caso você não saiba, é o autor dos livros da série O Senhor dos Anéis, O Hobbit e mais uns aí que só fã mesmo para ler... ai!), começou com os filmes da trilogia clássica O Senhor dos Anéis.

Depois parti para os livros e, bom, não sou um fã exemplar da literatura escrita pelo senhor Sir John Ronald Reuel Tolkien, então ainda não terminei de ler nem o primeiro livro da trilogia. Mas li O Hobbit. Li e gostei. (falo disto depois... foco!)


SEGUNDO: o passado recente...

Depois de ir ao cinema (e suportar o excesso de idiotas por metro quadrado dentro de uma sala de cinema) para assistir filme a filme da trilogia do Anel, revi todos, não sei quantas vezes, em casa, na santa paz do lar.

Claro que assistir filmes bem feitos, numa tela decente, com um som minimamente decente, sem a baderna dos cinemas nacionais, no silêncio de casa, tudo isto junto, me deram uma nova (e muito melhor) experiência com o universo despejado em forma de cinema por Peter Jackson (o diretor).



Assistir três, quatro, cinco vezes cada um dos filmes da trilogia só alimentou mais o meu desejo por ver a versão para cinema de O Hobbit. Ouvi tudo quanto é crítica, positiva e negativa, ANTES MESMO do filme ser produzido. São as melhores. O treco nem está pronto e nego já está jogando pedra. Enfim...!

Apesar de tudo, em casa, até assistir O Hobbit 2 (pra simplificar, vou chamar o "O Hobbit - A Desolação de Smaug" de Hobbit 2, ok!?), eu não era proprietário de nem uma cópia (nem oficial e nem não-oficial!!) dos filmes, apenas os livros.



TERCEIRO: o presente muito muito recente...

Fui assistir ao filme, o segundo, no sábado do fim de semana de estréia do filme. Basicamente um suicídio, mas lá fui eu. Dois cafezinhos antes de ir pra sala, claro. Seriam 3 horas de filme e eu não estava em casa, no meu conforto do lar, estava naquele inferno de cinema... mas, vai entender, lá estava eu.


Começa o filme e... oh!!! 
Meia hora de filme e ... oh!!
Duas horas de filme e... nó!!!
Acabou o filme e... QUERO MAIS!!!

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QUARTO: feedback, opinião PESSOAL... e lá vamos nós...

A trilogia de filmes de O Hobbit é baseada, centralmente, em UM livro. Possivelmente o mais lido dentre TODOS escritos pelo sir Tolkien. É um livro de fácil leitura, divertido, leve. Eis que Peter Jackson e Guillermo del Toro me aparecem com uma pancada de informações, cenas e eventos que não estão no livrinho. OPA!! COMO ASSIM!?

Depois de assistir o primeiro filme fui pesquisar e PIMBA!, não era "pobrema" em minha memória, eles realmente incluíram uma penca de informações que estão, de alguma forma, distribuídos nas outras obras de sir Tolkien. Obrigado, meninos!! Jovem Peter e desvalorizado Del Toro, do fundo de meu coração, obrigado! =)

Maaas....

Desde o primeiro Hobbit, li e ouvi muita coisa proferida pelos críticos sobre o Hobbit.

Ah!! OS CRÍTICOS !!!

Descobri que, de acordo com eles, o livro é um livro infantil, que fazer três filmes sobre um livro é fruto de ganância do estúdio e dos diretores, que o filme não tem ritmo, que não respeita o espírito do livro, que ter uma elfa e um triangulo amoroso é uma invencionice desnecessária (na verdade disseram que é uma merda mesmo). Descobri tanta coisa ouvindo estes críticos. Nossa!! Descobri com eles que eu não sabia NADA (que eu não precisava saber, aliás).

Acontece que depois de ouvir todas as FANTÁSTICAS (oh!) informações fornecidas por estes críticos, cheguei às uma sequência de conclusões. Eu posso?! Ah, fodas, é meu blog, aqui eu posso.



Concluí que devo ter mente infantil, ou algo do tipo, porque adorei ler O Hobbit.
Concluí que a ganância do estúdio Warner, de Peter Jackson e de Guillermo Del Toro, estranhamente, fizeram e estão me fazendo bem ao produzirem estes três filmes. Pasmem!! rs....
Concluí que a elfa que apareceu no Hobbit 2 não me incomodou nadinha e, fodas, se ela decidiu paquerar alguém que vocês não gostaram... ela é uma elfa, linda elfa por sinal, ora pombas, ela paquera quem ela bem entender, até um ORC! (kkkk, não me contive... sorry!)
Concluí que cinema para mim é uma coisa e para os críticos é outra COMPLETAMENTE diferente.


Por fim, concluí que estava na hora de eu honrar meu prazer em viver o universo de Tolkien. Hora de ler os livros até a última página, comprar uns blu-rays (blu-ray tem plural?).

Concluí que a turma lá da crítica até hoje não aprendeu a separar, dentro da cabeça deles, o que até as prateleiras de locadoras já aprenderam a separar há décadas. Fazer o quê, né?!

Será que é tão difícil para este mundo apenas assistir aos filmes e se divertir??

Aparentemente, sim.


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Agora, me deem licença. 
Vou ali terminar de ler Contato (de Carl Sagan) pra depois voltar à trilogia do Anel.
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sábado, 21 de dezembro de 2013

Caiu a ficha, demorou #GALO, mas caiu...

Hoje é sábado, o fato ocorreu na tarde de quarta-feira e só agora a ficha caiu.

Não é tão fácil começar pelo fim e neste caso o começo é distante demais para ser narrado. 29 anos é muito tempo para quem viveu... 29 anos até aqui... 

Bom, mas este último capítulo da história começou no dia 13 de Fevereiro de 2013, quando diante de quase 19 mil presentes na Arena Independência Caldeirão do Horto, o Atlético estreava na Copa Libertadores da América 2013. Desde o anos de 2000 que o Galo não participava do torneio.

Naquele dia, o futebol da divisa México - Estados Unidos até o Parque Nacional Cabo de Hornos, sul do Chile, foi pintado de alvi-negro. Ali, naquele estádio, começava uma jornada inesquecível para gerações e gerações de atleticanos. Eu sou um deles.

Naquela quarta-feira, eu dizia a frase que mais se ouviu em Belo Horizonte em 2013: EU ACREDITO!

Jogo após jogo, falamos, berramos, gritamos, esbravejamos ao mundo, dentro e fora dos estádios, que não importa o que aconteça, não importava o quanto fôssemos assaltados pelo apito inimigo, não importasse o quanto as redes de televisão nacionais desacreditassem no nosso time, nós, sim, nós, atleticanos, nós acreditaríamos. Nós sempre acreditamos.

O jogo era contra o SPFC, vulgo São Paulo. Era estreia de um pequeno gigante guerreiro, Luan, com a camisa do GALO. Era, também, a reestreia de Tardelli no Galo. O primeiro gol do GALO foi, no mínimo, inusitado. Ronaldinho lá na banheira recebe o lançamento numa batida de lateral. Como não existe a marcação de impedimento no lateral, R10 recebe a bola, cruza rasteiro no miolo da pequena área e Jô marca. Réver marcou também pelo Galo. Fim de jogo, GALO 2x1 SPFC. 

Era o primeiro passo. Essencial para qualquer jornada épica.

Por falar em partidas épicas, a seguinte foi inesquecível. Não apenas pelo placar elástico naquele 26 de fevereiro de 2013., Arsenal (Arg) 2x5 GALO, mas por vermos o time jogando como há 29 anos eu não havia visto. Em solo argentino, o pequeno guri, Bernard, marcou três e fez seu nome ressoar aos quatro cantos do mundo. Tardelli também marcou, o primeiro dele em 2013 pelo GALO. Naquela noite, nós, atleticanos, dormimos com a alma leve e a certeza de que finalmente podíamos dormir em paz com nosso time. A nação atleticana, enfim, tinha um timaço pelo qual vibrar e sorrir.

Março veio e com ele mais duas vitórias, ambas sobre o The Strongest Weakest, da Bolívia. As duas por 2x1. Neste momento o GALO já dava passos largos para próxima fase da Libertadores. Ronaldinho marcou o primeiro dele com a camisa do GALO na primeira partida. Na segunda partida, lá na Bolívia, o GALO quebra um tabu: há 7 anos que nenhum clube vencia o The Strongest em Libertadores na Bolívia. Não mais.

Voltamos a enfrentar o Arsenal, aquele time argentino que já tinha sido atropelado. Atropelamos de novo, enterrando mais um no Horto. 5x2, de novo. Neste dia o pequeno-gigante-guerreiro, Luan, marcou seu primeiro gol com a camisa do GALO. Chorou o pequeno. Nós também. Era a garantia de que estávamos nas oitavas-de-final. Ufa!!

Ao entrar na 6ª e última partida da fase de grupos, fomos até São Paulo, fazer um amistoso oficial. Entramos em campo com três certezas: éramos, naquele momento, o melhor time do campeonato; tínhamos a melhor pontuação do campeonato; aquele jogo não valia nada.
Certos destes fatos, fomos lá, brincamos, nos divertimos e, sem dividir nenhuma bola sequer (pera, pera, pera... uma pausa: no caso de Luan esta coisa de "levantar o pé" não se aplica, ele SEMPRE vai com tudo nas divididas... o pequeno guerreiro NUNCA nos decepciona com sua garra... continuando...), perdemos a primeira partida. Ceni, o goleiro aposentado-em-atividade do SPFC disse que era agora que a Libertadores havia começado para valer.

Oitavas-de-final e lá vamos nós bater nos são-paulinos de novo.
02 de maio de 2013, começa o jogo. Chuva, mais de 57 mil nas arquibancadas e gol do SPFC. Eram apenas 8' do 1º tempo e já estava 1x0 pro time paulista. Mas GALO é GALO. Se não for mordido, sofrido, não é GALO. Aos 37 minutos, ainda do primeiro tempo, o zagueiro semi-aposentado Lúcio, do SPFC, tenta matar Bernard com uma voadora e recebe o segundo cartão amarelo. Tchau. Cinco minutos depois Ronaldinho, o bruxo, o R10, marca seu primeiro gol pelo GALO na Libertadores. Tardelli, no segundo tempo, marca mais um e assim voltamos para casa, com uma vitória e um "cala a boca" enorme para toda a imprensa paulista, que comprou, sem titubear, as bravatas do gagá Rogério Ceni. Apanharam todos juntos.

Jogo de volta. Agora é aqui, aqui no Horto. E lá fomos nós, naquela quarta-feira, oito de maio de 2013, lotar o Indepa e celebrar a morte de mais um adversário em campo. Missão dada é missão cumprida. Clube Atlético Mineiro 4x1 Adeus-São-Paulo. Em noite inspirada de Jô e Tardelli, foram TRÊS gols entre os minutos 17 e 25 do 2º tempo. Fim de jogo. O atleticano não conseguia acreditar no que estava acontecendo ali, diante dele. Que time era aquele? Que Atlético era este? Era o NOSSO GALO.

Fomos às quartas-de-final, agora enfrentar um adversário que oferecia algum risco. O adversário era o time mexicano, Tijuana. Fomos lá, naquela porcaria de campo com grama sintética e arrancamos um empate. Hora de cumprir a missão no Horto. 
30 de maio de 2013, o Tijuana marca aos 25', o GALO empata com Réver aos 40', tudo no primeiro tempo. O jogo lá ia terminando em 1x1, resultado que dava ao GALO a vaga para próxima fase. Tudo ia bem, apesar do nervosismo, até que o juiz marca pênalti a favor dos mexicanos. 47 minutos do segundo tempo.

Bola na cal. Atacante olha para o gol, abaixa a cabeça, corre em direção à bola. Era o gol da classificação. Era a bola do jogo. Realmente foi, mas foi a bola que Victor, naquele momento canonizado, São Victor do Galo, defendeu e o GALO estava, enfim, classificado para a semi-final.
“É gol, é gol, é gol do Galo! Victor faz o gol da classificação do Galo!” Osvaldo Reis, o Pequetito, da Rádio Globo Minas, descreveu assim o desfecho do momento mais dramático e desesperador do Atlético na Taça Libertadores da América.

O Independência estava lotado e angustiado quando viu o árbitro Patricio Polic, do Chile, marcar um pênalti contra o Atlético aos 47 minutos do segundo tempo. Àquela altura, o gol de Riascos sepultaria o sonho dos alvinegros de conquistar o título inédito.  

Cada um dos 21 mil presentes no Horto, e outros tantos milhões por todo o mundo,  reagiu a sua maneira quando viu o pé esquerdo de Victor mandar a bola para lateral. Sim, poucos se lembram disso, mas Victor defendeu com tamanha garra e convicção o pênalti que a bola foi parar na lateral à direita do gol atleticano.  (Fonte)
Naquela noite, todos os atleticanos que assistiram à estes minutos finais da partida e, AINDA ASSIM, sobreviveram, puderam garantir seu atestado de coração forte. A nação não sabia o que fazia, se ria, se gritava, se chorava, foi algo que não se tem muita explicação. Fato é que quase TODO atleticano sabe, precisamente, onde estava e com quem estava no momento em que São Victor do GALO defendeu aquela cobrança de pênalti.

Chegamos à final. Pela primeira vez na nossa história, estávamos lá, na final da Libertadores. O adversário era o Olímpia, Jogo de ida lá no Paraguai. Perdíamos por 1x0 quando, sabe-se lá onde o juiz viu aquela falta, mas ele apitou. Falta na boca da grande área. Cobrança e gol. Olímpia 2x0 GALO. E lá vai o GALO com sua sina: se não for sofrido, não é GALO.

Chega então o dia, 24 de julho de 2013. Desta vez o jogo seria no Mineirão, onde ainda em 2013 já havíamos conquistado o bicampeonato mineiro. Quase 59 mil torcedores lotavam o estádio (que agora tem lotação máxima de 64,5 mil). Jogo marcado para as 21h50, mas os gritos "GALO!" e "EU ACREDITO" ecoaram pela cidade durante o dia inteiro.

Tensão à flor da pele. Começa a partida. 45 minutos e nada. Zero a zero. Começa o segundo tempo e... GOL! GOL DO GALO!!! Ufa! Agora só falta mais um para, pelo menos, irmos pros pênaltis.
Não tenho ideia se fazia frio ou calor, porque eu suava feito bule de café, feito tampa de chaleira. 
Como não bastasse tanta angústia, em contra-ataque do Olímpia, Ferreyra, sozinho, sem goleiro, escorrega e deixa de fazer o gol do título para o time paraguaio.

Eu... eu suava frio, nervoso, tenso, ansioso. Então, aos 41 minutos do 2º tempo, faltando poucos minutos para acabar a partida, Leonardo Silva marca. Vibramos, vibramos muito. Dali até o apito do juiz o atleticano só pensava em uma coisa: valha-me São Victor do GALO!!!

Primeira cobrança para o Olímpia e.... Viiiiiiiictor!!! São Victor do GALO!!!
Alecsandro veio e... gol!! GALO 1x0.
Ferreyra desta vez não escorregou e marcou.
Guilherme, com frieza e categoria, marcou também. GALO 2x1.
Candía e Jô fizeram o basicão e marcaram. GALO 3x2.
Aranda e Léo Silva também marcaram, ambas cobranças indefensáveis. GALO 4x3.

Com o placar a favor, bastava agora que a bola não entrasse. Bastava um pequeno erro do batedor paraguaio, uma defesa de São Victor do GALO, qualquer coisa que fizesse aquela bola não entrar no gol servia para o alívio e incomensurável festa alvinegra.

Giménez posiciona a bola. Corre. Bate. Trave!!
Grito, lágrimas, festa, fogos de artifício, buzinaço e, claro, a clássica reunião na Praça Sete até que o sol se apresente.

Ali, naquele 25 de julho de 2013, o atleticano viveu algo que, 8 anos antes, seria inimaginável, mas aconteceu. Éramos, enfim, o MELHOR TIME DA AMÉRICA!!!

Passamos, à partir dali, a jogar amistosos oficiais. No Brasileiro a meta era apenas pontuar o bastante para ficar na parte de cima da tabela, resultado obtido com a vitórias no Horto.

Agosto... Setembro... Outubro... Novembro... Dezembro... ufa... finalmente chegamos ao fim do ano de 2013 e com o fim do ano chega também o MUNDIAL INTERCLUBES. Em tese, apenas campeões continentais jogam, mas a FIFA encaixou um time local ali, um tal de Raja Casa Blanca.

No programa do GALO, era jogar contra o Monterrey do México na semi-final e partir pro jogo da VIDA, na final, contra o alemão Bayern de Munique.

O Monterrey não chegou na semi-final. No lugar dele chegou o time local, marroquino, o tal do Raja, que venceu os mexicanos por 2x1. Era para ser um bom jogo, um aquecimento para final. Mas...


Não vou narrar o jogo. Primeiro porque o GALO não jogou, segundo porque minha mente tratou de apagar boa parte do que aconteceu ali, das 17h30 às 19h25 (no horário de Brasília).

Hoje, finalmente, depois que o efeito da anestesia passou, as lágrimas desceram.
Sim, é, é apenas futebol. É, sim, apenas entretenimento. É motivo para rir, brincar. Mas acontece que não sou torcedor, sou atleticano. É paixão, é emoção, é um eterno amar e se emputecer.

Ninguém, JAMAIS, será afetado pela minha euforia ou tristeza com meu GALO. Isto é coisa de marginal, malandro, ladrão. A única forma de eu afetar alguém, por causa da minha paixão pelo GALO, é com festa, alegria, zombaria e farra. Ninguém, neste mundo, é mais afetado do que eu mesmo pelo sangue atleticano que corre em minhas veias.

Mas hoje, hoje eu chorei... chorei pelo fim deste sonho, pelo menos agora, em 2013. O futuro pode nos surpreender ou pode simplesmente ser o que estávamos acostumados a ser: um grande time do futebol brasileiro. Hoje, somos mais, somos GIGANTES. Quando um gigante tropeça, o estrago é muito maior. E foi...

Um ano de festas, fé, alegrias, ansiedades e agonias. Um goleiro catequizado, um craque ex-aposentado que voltou a ser campeão, um pequeno guerreiro que caiu nas graças da nação alvinegra, a despedida de um pigmeu craque para o futebol húngaro.

Mas ali, em Marrocos, a equipe não desfilou o futebol prometido. 
Nesta quarta-feira,  18 de dezembro de 2013, os jogadores escalados para representar o Clube Atlético Mineiro não honraram sua torcida. Não fizeram por merecer tudo que a nação atleticana investiu, acreditou e se doou para ver e fazer acontecer.

Era o Carnaval e ela, a equipe, não desfilou...

E eu chorei...





terça-feira, 10 de dezembro de 2013

O dia em que perdi o tesão pelo futebol brasileiro

Fonte: jovempan.uol.com.br

O que vi na arquibancada do jogo entre Vasco e Atlético Paranaense, em Joinville, neste domingo (08/12/2013, guardem bem esta data) drenou parte da minha paixão pelo futebol.

Há alguns anos que eu já não vou aos estádios acompanhar o time em que deposito minha paixão. Pouco culpa do time, muito em culpa dos marginais que, sei lá como, estão lá, jogo após jogo, praticando vandalismo, violência e crimes.
O que se viu naquela guerra entre vascaínos e atleticanos do Paraná foi triste, lamentável e deprimente.


Fonte: www1.folha.uol.com.br

De verdade, do fundo do coração, perdi mais um bocado do tesão que tenho (ou tinha) pelo futebol. Não pelo esporte em si, mas pela palhaçada que envolve todo este circo que se tornou o futebol brasileiro, desde as falidas Conmebol e sua irmã, em absurdos e babaquices, CBF (não financeiramente, mas no papel de entidade organizadora do esporte), passando pelos cartolas brasileiro estúpidos (e salafrários em sua maioria) e terminando nestes marginais disfarçados de torcedores, que seguem impunes há décadas.

(Apenas para fins de registro, apenas em 2013, foram 30 mortes em consequência DIRETA de confronto entre torcidas de clubes de futebol no Brasil.)

Se me resta algo, ainda, é o apreço pelas brincadeiras e deboches inocentes que troco com alguns colegas e amigos, gente do bem, gente que trata o futebol como eu, com humor, com alegria, como entretenimento.

Fonte: esporte.ig.com.br

Não adianta eu implorar para que os marginais abandonem as arquibancadas. Eles não farão isto lá, assim como não o fazem no nosso dia a dia.

Então me retiro, eu, Beto Patux, desde ambiente.
Me manterei, na medida do que for capaz, ao nível das brincadeiras com colegas e amigos.

Estádio? Não. Não tão cedo.

Continuarei, sim, acompanhando o GALO, como faço, daqui do meu canto, rindo, comemorando, às vezes sofrendo mais com os juízes e cartolas do que com o futebol apresentado em campo (afinal de contas, jogador ruim não tem culpa de ser ruim, culpado é quem contrata ele!).

Espero que um dia as coisas mudem. Espero estar vivo para ver as coisas mudarem. Até lá, fico daqui, fazendo o que posso fazer: encarando o futebol como esporte e entretenimento.

É o que ele deveria ser. 
Infelizmente não é o que fizeram dele.