sábado, 21 de dezembro de 2013

Caiu a ficha, demorou #GALO, mas caiu...

Hoje é sábado, o fato ocorreu na tarde de quarta-feira e só agora a ficha caiu.

Não é tão fácil começar pelo fim e neste caso o começo é distante demais para ser narrado. 29 anos é muito tempo para quem viveu... 29 anos até aqui... 

Bom, mas este último capítulo da história começou no dia 13 de Fevereiro de 2013, quando diante de quase 19 mil presentes na Arena Independência Caldeirão do Horto, o Atlético estreava na Copa Libertadores da América 2013. Desde o anos de 2000 que o Galo não participava do torneio.

Naquele dia, o futebol da divisa México - Estados Unidos até o Parque Nacional Cabo de Hornos, sul do Chile, foi pintado de alvi-negro. Ali, naquele estádio, começava uma jornada inesquecível para gerações e gerações de atleticanos. Eu sou um deles.

Naquela quarta-feira, eu dizia a frase que mais se ouviu em Belo Horizonte em 2013: EU ACREDITO!

Jogo após jogo, falamos, berramos, gritamos, esbravejamos ao mundo, dentro e fora dos estádios, que não importa o que aconteça, não importava o quanto fôssemos assaltados pelo apito inimigo, não importasse o quanto as redes de televisão nacionais desacreditassem no nosso time, nós, sim, nós, atleticanos, nós acreditaríamos. Nós sempre acreditamos.

O jogo era contra o SPFC, vulgo São Paulo. Era estreia de um pequeno gigante guerreiro, Luan, com a camisa do GALO. Era, também, a reestreia de Tardelli no Galo. O primeiro gol do GALO foi, no mínimo, inusitado. Ronaldinho lá na banheira recebe o lançamento numa batida de lateral. Como não existe a marcação de impedimento no lateral, R10 recebe a bola, cruza rasteiro no miolo da pequena área e Jô marca. Réver marcou também pelo Galo. Fim de jogo, GALO 2x1 SPFC. 

Era o primeiro passo. Essencial para qualquer jornada épica.

Por falar em partidas épicas, a seguinte foi inesquecível. Não apenas pelo placar elástico naquele 26 de fevereiro de 2013., Arsenal (Arg) 2x5 GALO, mas por vermos o time jogando como há 29 anos eu não havia visto. Em solo argentino, o pequeno guri, Bernard, marcou três e fez seu nome ressoar aos quatro cantos do mundo. Tardelli também marcou, o primeiro dele em 2013 pelo GALO. Naquela noite, nós, atleticanos, dormimos com a alma leve e a certeza de que finalmente podíamos dormir em paz com nosso time. A nação atleticana, enfim, tinha um timaço pelo qual vibrar e sorrir.

Março veio e com ele mais duas vitórias, ambas sobre o The Strongest Weakest, da Bolívia. As duas por 2x1. Neste momento o GALO já dava passos largos para próxima fase da Libertadores. Ronaldinho marcou o primeiro dele com a camisa do GALO na primeira partida. Na segunda partida, lá na Bolívia, o GALO quebra um tabu: há 7 anos que nenhum clube vencia o The Strongest em Libertadores na Bolívia. Não mais.

Voltamos a enfrentar o Arsenal, aquele time argentino que já tinha sido atropelado. Atropelamos de novo, enterrando mais um no Horto. 5x2, de novo. Neste dia o pequeno-gigante-guerreiro, Luan, marcou seu primeiro gol com a camisa do GALO. Chorou o pequeno. Nós também. Era a garantia de que estávamos nas oitavas-de-final. Ufa!!

Ao entrar na 6ª e última partida da fase de grupos, fomos até São Paulo, fazer um amistoso oficial. Entramos em campo com três certezas: éramos, naquele momento, o melhor time do campeonato; tínhamos a melhor pontuação do campeonato; aquele jogo não valia nada.
Certos destes fatos, fomos lá, brincamos, nos divertimos e, sem dividir nenhuma bola sequer (pera, pera, pera... uma pausa: no caso de Luan esta coisa de "levantar o pé" não se aplica, ele SEMPRE vai com tudo nas divididas... o pequeno guerreiro NUNCA nos decepciona com sua garra... continuando...), perdemos a primeira partida. Ceni, o goleiro aposentado-em-atividade do SPFC disse que era agora que a Libertadores havia começado para valer.

Oitavas-de-final e lá vamos nós bater nos são-paulinos de novo.
02 de maio de 2013, começa o jogo. Chuva, mais de 57 mil nas arquibancadas e gol do SPFC. Eram apenas 8' do 1º tempo e já estava 1x0 pro time paulista. Mas GALO é GALO. Se não for mordido, sofrido, não é GALO. Aos 37 minutos, ainda do primeiro tempo, o zagueiro semi-aposentado Lúcio, do SPFC, tenta matar Bernard com uma voadora e recebe o segundo cartão amarelo. Tchau. Cinco minutos depois Ronaldinho, o bruxo, o R10, marca seu primeiro gol pelo GALO na Libertadores. Tardelli, no segundo tempo, marca mais um e assim voltamos para casa, com uma vitória e um "cala a boca" enorme para toda a imprensa paulista, que comprou, sem titubear, as bravatas do gagá Rogério Ceni. Apanharam todos juntos.

Jogo de volta. Agora é aqui, aqui no Horto. E lá fomos nós, naquela quarta-feira, oito de maio de 2013, lotar o Indepa e celebrar a morte de mais um adversário em campo. Missão dada é missão cumprida. Clube Atlético Mineiro 4x1 Adeus-São-Paulo. Em noite inspirada de Jô e Tardelli, foram TRÊS gols entre os minutos 17 e 25 do 2º tempo. Fim de jogo. O atleticano não conseguia acreditar no que estava acontecendo ali, diante dele. Que time era aquele? Que Atlético era este? Era o NOSSO GALO.

Fomos às quartas-de-final, agora enfrentar um adversário que oferecia algum risco. O adversário era o time mexicano, Tijuana. Fomos lá, naquela porcaria de campo com grama sintética e arrancamos um empate. Hora de cumprir a missão no Horto. 
30 de maio de 2013, o Tijuana marca aos 25', o GALO empata com Réver aos 40', tudo no primeiro tempo. O jogo lá ia terminando em 1x1, resultado que dava ao GALO a vaga para próxima fase. Tudo ia bem, apesar do nervosismo, até que o juiz marca pênalti a favor dos mexicanos. 47 minutos do segundo tempo.

Bola na cal. Atacante olha para o gol, abaixa a cabeça, corre em direção à bola. Era o gol da classificação. Era a bola do jogo. Realmente foi, mas foi a bola que Victor, naquele momento canonizado, São Victor do Galo, defendeu e o GALO estava, enfim, classificado para a semi-final.
“É gol, é gol, é gol do Galo! Victor faz o gol da classificação do Galo!” Osvaldo Reis, o Pequetito, da Rádio Globo Minas, descreveu assim o desfecho do momento mais dramático e desesperador do Atlético na Taça Libertadores da América.

O Independência estava lotado e angustiado quando viu o árbitro Patricio Polic, do Chile, marcar um pênalti contra o Atlético aos 47 minutos do segundo tempo. Àquela altura, o gol de Riascos sepultaria o sonho dos alvinegros de conquistar o título inédito.  

Cada um dos 21 mil presentes no Horto, e outros tantos milhões por todo o mundo,  reagiu a sua maneira quando viu o pé esquerdo de Victor mandar a bola para lateral. Sim, poucos se lembram disso, mas Victor defendeu com tamanha garra e convicção o pênalti que a bola foi parar na lateral à direita do gol atleticano.  (Fonte)
Naquela noite, todos os atleticanos que assistiram à estes minutos finais da partida e, AINDA ASSIM, sobreviveram, puderam garantir seu atestado de coração forte. A nação não sabia o que fazia, se ria, se gritava, se chorava, foi algo que não se tem muita explicação. Fato é que quase TODO atleticano sabe, precisamente, onde estava e com quem estava no momento em que São Victor do GALO defendeu aquela cobrança de pênalti.

Chegamos à final. Pela primeira vez na nossa história, estávamos lá, na final da Libertadores. O adversário era o Olímpia, Jogo de ida lá no Paraguai. Perdíamos por 1x0 quando, sabe-se lá onde o juiz viu aquela falta, mas ele apitou. Falta na boca da grande área. Cobrança e gol. Olímpia 2x0 GALO. E lá vai o GALO com sua sina: se não for sofrido, não é GALO.

Chega então o dia, 24 de julho de 2013. Desta vez o jogo seria no Mineirão, onde ainda em 2013 já havíamos conquistado o bicampeonato mineiro. Quase 59 mil torcedores lotavam o estádio (que agora tem lotação máxima de 64,5 mil). Jogo marcado para as 21h50, mas os gritos "GALO!" e "EU ACREDITO" ecoaram pela cidade durante o dia inteiro.

Tensão à flor da pele. Começa a partida. 45 minutos e nada. Zero a zero. Começa o segundo tempo e... GOL! GOL DO GALO!!! Ufa! Agora só falta mais um para, pelo menos, irmos pros pênaltis.
Não tenho ideia se fazia frio ou calor, porque eu suava feito bule de café, feito tampa de chaleira. 
Como não bastasse tanta angústia, em contra-ataque do Olímpia, Ferreyra, sozinho, sem goleiro, escorrega e deixa de fazer o gol do título para o time paraguaio.

Eu... eu suava frio, nervoso, tenso, ansioso. Então, aos 41 minutos do 2º tempo, faltando poucos minutos para acabar a partida, Leonardo Silva marca. Vibramos, vibramos muito. Dali até o apito do juiz o atleticano só pensava em uma coisa: valha-me São Victor do GALO!!!

Primeira cobrança para o Olímpia e.... Viiiiiiiictor!!! São Victor do GALO!!!
Alecsandro veio e... gol!! GALO 1x0.
Ferreyra desta vez não escorregou e marcou.
Guilherme, com frieza e categoria, marcou também. GALO 2x1.
Candía e Jô fizeram o basicão e marcaram. GALO 3x2.
Aranda e Léo Silva também marcaram, ambas cobranças indefensáveis. GALO 4x3.

Com o placar a favor, bastava agora que a bola não entrasse. Bastava um pequeno erro do batedor paraguaio, uma defesa de São Victor do GALO, qualquer coisa que fizesse aquela bola não entrar no gol servia para o alívio e incomensurável festa alvinegra.

Giménez posiciona a bola. Corre. Bate. Trave!!
Grito, lágrimas, festa, fogos de artifício, buzinaço e, claro, a clássica reunião na Praça Sete até que o sol se apresente.

Ali, naquele 25 de julho de 2013, o atleticano viveu algo que, 8 anos antes, seria inimaginável, mas aconteceu. Éramos, enfim, o MELHOR TIME DA AMÉRICA!!!

Passamos, à partir dali, a jogar amistosos oficiais. No Brasileiro a meta era apenas pontuar o bastante para ficar na parte de cima da tabela, resultado obtido com a vitórias no Horto.

Agosto... Setembro... Outubro... Novembro... Dezembro... ufa... finalmente chegamos ao fim do ano de 2013 e com o fim do ano chega também o MUNDIAL INTERCLUBES. Em tese, apenas campeões continentais jogam, mas a FIFA encaixou um time local ali, um tal de Raja Casa Blanca.

No programa do GALO, era jogar contra o Monterrey do México na semi-final e partir pro jogo da VIDA, na final, contra o alemão Bayern de Munique.

O Monterrey não chegou na semi-final. No lugar dele chegou o time local, marroquino, o tal do Raja, que venceu os mexicanos por 2x1. Era para ser um bom jogo, um aquecimento para final. Mas...


Não vou narrar o jogo. Primeiro porque o GALO não jogou, segundo porque minha mente tratou de apagar boa parte do que aconteceu ali, das 17h30 às 19h25 (no horário de Brasília).

Hoje, finalmente, depois que o efeito da anestesia passou, as lágrimas desceram.
Sim, é, é apenas futebol. É, sim, apenas entretenimento. É motivo para rir, brincar. Mas acontece que não sou torcedor, sou atleticano. É paixão, é emoção, é um eterno amar e se emputecer.

Ninguém, JAMAIS, será afetado pela minha euforia ou tristeza com meu GALO. Isto é coisa de marginal, malandro, ladrão. A única forma de eu afetar alguém, por causa da minha paixão pelo GALO, é com festa, alegria, zombaria e farra. Ninguém, neste mundo, é mais afetado do que eu mesmo pelo sangue atleticano que corre em minhas veias.

Mas hoje, hoje eu chorei... chorei pelo fim deste sonho, pelo menos agora, em 2013. O futuro pode nos surpreender ou pode simplesmente ser o que estávamos acostumados a ser: um grande time do futebol brasileiro. Hoje, somos mais, somos GIGANTES. Quando um gigante tropeça, o estrago é muito maior. E foi...

Um ano de festas, fé, alegrias, ansiedades e agonias. Um goleiro catequizado, um craque ex-aposentado que voltou a ser campeão, um pequeno guerreiro que caiu nas graças da nação alvinegra, a despedida de um pigmeu craque para o futebol húngaro.

Mas ali, em Marrocos, a equipe não desfilou o futebol prometido. 
Nesta quarta-feira,  18 de dezembro de 2013, os jogadores escalados para representar o Clube Atlético Mineiro não honraram sua torcida. Não fizeram por merecer tudo que a nação atleticana investiu, acreditou e se doou para ver e fazer acontecer.

Era o Carnaval e ela, a equipe, não desfilou...

E eu chorei...